HHá muito tempo que monges e místicos usam as práticas de meditação para dissolver a fusão entre o pensamento e o pensador, impulso e ação, libertando a mente de algumas limitações e distorções.
“Estar no presente” é uma frase que muito se ouve. A ideia é que a mente indisciplinada é facilmente distraída, no vai e vem entre o passado e o futuro, arrastando memórias e projetando-as adiante. Só quando estamos no presente, sintonizados com o agora, é que conseguimos lidar com o momento de uma forma emocionalmente ágil. Esta é a técnica do mindfulness.
Um dos programas mais reconhecidos é o Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR), criado por Jon Kabat-Zinn na Universidade de Massachusetts. Reconhecido mundialmente e validado cientificamente, continua a ser considerado o “gold standard” do treino de mindfulness na redução de stress e ansiedade.
A resistência ao conceito
Há um sem fim de benefícios associados à pratica de mindlulness. No entanto o termo está envolto numa linguagem efémera, inatingível, quase mística, que por vezes parece distante da realidade do dia a dia. Isso pode gerar resistência ou até uma reação negativa.
Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, a evidência científica mostra que a meditação e o mindfulness realmente ajudam a melhorar a saúde mental, desde a redução do stress até ao aumento da clareza emocional.
Talvez por isso seja mais fácil perceber o que é mindfulness se nos centrarmos no seu oposto: mindlessness.
O estado de mindlessness
Mindlessness é o estado de inconsciência e auto piloto. Não se está realmente presente. Em vez disso estamos profundamente ligados a ideias ou ideais ou coisas banais que muitas vezes nem sabemos bem porquê.
Sabemos que estamos mindless quando:
- Quando te esqueces do nome de alguém logo que o ouviste
- Quando deitas fora o objecto e guardas o papel onde estava embrulhadao
- Não te lembras se fechastes a porta de casa
- Estás focado no que poderá vir e esqueces-te do que precisas agora
- Comes ou bebes sem realmente ter fome ou sede
- Sentes uma emoção sem saber de onde ela veio
O poder da consciência
Por oposição, o estado de mindfulness permitem-te observar os pensamentos e as emoções desconfortáveis, em vez de te emaranhares neles. Quando estás consciente da tua irritação, podes observá-la com sensibilidade, foco e clareza emocional. Talvez até descobrires de onde vem. Podes descobrir que a “irritação” é, na verdade tristeza ou medo.
Mas a consciência calma – de apenas SER – que está no cerne da “mindfulness” não vem facilmente para ninguém.
Conclusão: começa por estar presente
Mindfulness não é um estado místico reservado a poucos. É uma prática acessível, que começa com pequenos gestos: observar a respiração, notar os pensamentos, sentir o corpo. Estar presente é o primeiro passo para viver com mais clareza, equilíbrio e liberdade emocional.
Aldina Costa
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